Uma expedição ao Monte de São Bartolomeu

Finalmente aconteceu a tão adiada expedição ao Monte de São Bartolomeu, programada há largos meses, na companhia do meu amigo de infância, de adolescência e, não tenho qualquer dúvida, de tempos futuros, Fernando Esperança, para os amigos “Fernandinho”.
Aproveitando um sábado, nada favorável para a ir a banhos, lá fomos tranquilamente observar alguns locais de putativo interesse científico.
A visita foi, por todos os meios, agradável.
Visitar, mais uma vez, aqueles recantos onde segundo consta terá chegado, ainda nas primeiras décadas do século VIII, o último Rei dos Godos” – Roderico – foi uma experiência única.
Aquele local tem, na sua essência, a “capacidade” de transmitir sentimentos inexplicáveis de união entre o “Ser” e o Natural.
A fauna e, acima de tudo, a flora envolve-nos, criando uma simbiose entre a perfeição natural e a falência humana, a sensação de que naquele local o espaço e o tempo estagnaram, restando apenas o agora.
De repente já importava pouco o motivo da expedição, de tão envolvente atmosfera, mas a distracção não levaria a melhor sobre o objecto da expedição e lá fomos caminhando, sempre para cima, até chegarmos ao local assinalado.
Observámos, fotografámos, mais uns olhares pesquisadores, e voltámos por um outro trilho. A descer, como se costuma dizer, “todos os Santos ajudam” e não é mentira alguma.
Mas a história não estaria completa se não fossemos confrontados com um “aparecimento” estranho, completamente inesperado e, acima de tudo para quem acredita em bruxas, quase premonitório, sei lá.
Da existência de algumas inumações naquele local já nós sabemos pelos documentos conhecidos e já analisados, mas uma coisa daquelas!? Não se esperava!
A caminho do carro o Fernando alertou-me – ia eu já à frente na caminhada com a pressa de tomar um belo de um banho – “já viste o que está aqui no chão.”
Virei-me para trás e vi o verso do que parecia ser, e era, um postal já gasto pelo tempo ou pelo manuseamento descuidado do seu proprietário, dizemos nós!
A curiosidade é forte. Virámos o postal e a imagem impressa não poderia ser mais perturbadora; dois corpos mumificados dentro de dois caixões!!!!????
O arrepio foi imediato. A vontade de entender aquele “aparecimento” naquele local místico e mítico preencheu os nossos pensamentos.
Que raio de coisa tão estranha. Se fosse noutro sítio talvez a “carga” emocional” não fosse tão forte, talvez não nos questionássemos.
Não sentimos medo, apenas questionámos aquele fortuito achado.
A verdade é que chegado a casa fui pesquisar onde se encontravam aquelas múmias e, não foi com grande surpresa que verifiquei estarem num museu na Holanda.
Em tudo isto não existe, como se compreenderá, qualquer dúvida que alguém o perdeu por ali, o deixou cair. Não veio, com certeza, a voar da Holanda para o Monte de São Bartolomeu!
Será talvez, e para terminar, uma história sem interesse para uns. Mas, por outro lado, um momento, mais um, partilhado com um amigo de longa data.
O Monte de São Bartolomeu reserva ainda, como já referimos, muitas surpresas, necessitando de um olhar atento a cada pedra, a cada reentrância na estrutura geológica daquele local.
Quem sabe um dia poderá confirmar as legítimas desconfianças de que o Homem por ali esteve em períodos bem recuados da História da Humanidade.

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