Um tio penta-avô que deu à costa no Salgado (1807)

Um antepassado meu (Tio penta-avô, pela minha parte materna), terá falecido no mar. Até aqui tudo normal, digamos assim, posto que a pesca era a principal actividade económica das gentes da Nazaré e naquela “labuta” muitos foram os que encontraram sepultura nas águas gélidas e profundas desta zona do litoral nacional.
No entanto, o que importa é que neste registo, a diferença de datas parece indiciar que a notícia do naufrágio (caso tenha sido naufrágio) chegou no dia 21 e, apenas, no dia 29 do mesmo mês e ano – como refere o vigário – é que o corpo “deu à costa”?
Realça-se, também, ter sido sepultado na Ermida dos Anjos cujo cemitério foi parcialmente destruído em finais da década de 80!!!
«Aos vinte e hum dias do mes de Junho de Mil outo centos, e sete annos, morreu afogado no mar Joaquim Rodrigues Caixeiro, filho de Joaquim Rodrigues Caixeiro, e de Clara Maria do Lugar do Sitio de Nossa Senhora de Nazareth, appareceu a costa defronte do Salgado aos vinte e nove dias dos referidos mes e anno, e no mesmo dia foi seu corpo sepultado na Ermida de Nossa Senhora dos Anjos desta Freguesia de Nossa Senhora das Areias da Villa da Pederneira, do que tudo fis este acento que assignei. O Vigário António José Ferreira.»*

*ADLRA-Livro de Óbitos da Freguesia da Pederneira, 1807, [s.n.f.]

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