Últimas notas sobre o apelido “Guincho” na Nazaré

 

Amália Bombas, esposa de Manoel Guincho Repolho (espólio particular)

No artigo abaixo, datado de 15 de Abril, verificámos que Joaquim Domigues Guinxo (o primeiro com esse apelido ou alcunha), era filho legítimo de Manoel Domingues e de Maria de Jesus.

O pai da Marinha Grande e a mãe da Pederneira. Neto paterno de Manoel Domingues e de Suzana Maria, ele de Carvide e ela da Marinha Grande (freguesia de Nossa Senhora do Rosário). Neto materno de Manoel José e de Thereza de São José, da Benedita (Concelho de Alcobaça).

No entretanto, conseguimos descobrir a data de casamento dos pais do tal Joaquim Domingues Guinxo que decorreu na Igreja de Nossa Senhora das Areias, Freguesia e Concelho da Pederneira, no dia 31 de Maio de 1780.

Mas, voltemos a Joaquim Domingues Guinxo que acabaria por contrair matrimónio com Alexandrina Rosa da Carrasca no dia 26 de Novembro de 1818 na Igreja de Nossa Senhora das Areias.

Alexandrina era filha de um tal Felipe Fernandes, natural de Valado dos Frades, e de Rosa Maria de São José Carrasca, natural de Fanhais ou da Póvoa, como refere o pároco no registo em causa.

Deste casamento, segundo o que conseguimos apurar, nasce o nosso Joaquim (b.1819), António (b.1826), José (b.1834) e Rosária de Jesus (b.1836).

José haveria de ter vida curta, posto que viria a falecer com 14 meses. Os restantes viriam a casar e a deixar descendência, assunto que por agora não importa explanar.

Joaquim Domingues Guinxo júnior, filho dos anteriores, contrai matrimónio com Maria Soares Vêca no dia 6 de Novembro de 1842 na Igreja de Nossa Senhora das Areias. Nesse registo não aparece o nome Guinxo, apenas Joaquim Domingues.

No entanto, dos três filhos que conseguimos encontrar, fruto deste casamento, um deles haveria de se chamar José, talvez em homenagem ao irmão que faleceu precocemente – nunca saberemos se essa foi a razão – aos restantes deram o nome de Anna (b.1840) e à mais nova, Maria (b.1849).

José, o júnior, haveria de casar com uma tal de Joaquina Christina Patalão, cuja ascendência se encontra analisada no nosso trabalho “Gente de Fora na Pederneira: O caso da comunidade de Ílhavo (1609-1850)”*

Deste casamento haveriam de nascer quatro filhos, dois gémeos (Manoel e António), um “sem nome” e um outro que baptizaram de João.

O “sem nome” faleceu em casa, tendo sido baptisado, post mortem, no dia 7 de Outubro de 1875.

Manoel e António nascem no ano de 1881, João Domingues Guincho (aqui já aparece com “H”) em 1886.

Peniche parece ter sido o destino geográfico de dois irmãos, Manoel e João. Ainda que não saibamos, para já, se João deixou descendência na Nazaré ou em Peniche, sabemos, no entanto, que Manoel haveria de deixar descendentes repartidos entre Peniche e Nazaré.

De todos eles, interessa-nos o Manoel, posto que é este que assume como alcunha “Repolho” que, embora tenha perdurado durante a sua existência, enquanto apelido, haveria de perpetuar-se – geração após geração – como alcunha ou se quisermos, como um nome identificativo de uma família: os “repolhos”

Ainda hoje essa alcunha – não mais utilizada como apelido – é conhecida na Nazaré e em Peniche. Mas se fizermos uma breve pesquisa no site https://nosportugueses.pt/pt/apelido/11452/repolho verificamos a sua aplicação e, mesmo, a sua antiguidade.

De seu nome Manoel Guincho Repolho, é o único filho que perde o apelido “Domingues”, não seguindo a “norma” dos irmão António e João.

Para terminar e, ao mesmo tempo, dando sequência a esta partilha de apelidos fruto das nossas pesquisas nos paroquiais, Manoel Guincho Repolho viria a contrair matrimónio com Amália Bombas (1882-1948), filha de Joaquim Boarqueiro Bombas (b.1854) e de Francelina Bacóra (1953-1928).

Deste casamento haveriam de se juntar, como é compreensível, os apelidos Bombas e Guincho que depois, consoante o número de filhos e os casamentos realizados, derivariam noutros tantos apelidos.

Serão, mais uma vez, os paroquiais que poderão fornecer algum conhecimento sobre essas derivações, como são exemplo a junção do apelido Bombas, Guincho e Quinzico, de que trataremos atempadamente.

Pelo acima exposto, espera-se que todos os que fazem pesquisa sobre os apelidos aqui indicados possam, de uma forma ou de outra, encontrar alguma informação pertinente para a sua pesquisa genealógica.

Fontes:

ADLRA – Livro de Registos de Casamentos, Freguesia da Pederneira, Ano de 1780, f. 47.

ADLRA – Livro de Registos de Baptismos, Freguesia da Pederneira, Ano de 1826, f. 230v.

ADLRA – Livro de Registos de Baptismos, Freguesia da Pederneira, Ano de 1834, f. 40v.

ADLRA – Livro de Registos de Baptismos, Freguesia da Pederneira, Ano de 1836, f. 61.

ADLRA – Livro de Registos de Casamentos, Freguesia da Pederneira, Ano de 1842, f. 2.

ADLRA – Livro de Registos de Baptismos, Freguesia da Pederneira, Ano de 1881, Reg.22.

ADLRA – Livro de Registos de Baptismos, Freguesia da Pederneira, Ano de 1886, f. 89.

ADLRA – Livro de Registos de Baptismos, Freguesia da Pederneira, Ano de 1875, Reg.38.

*https://www.bertrand.pt/livro/gente-de-fora-na-pederneira-carlos-fidalgo/23936598

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