Tragédia numa tourada no Sítio da Nazaré em 1842

O assunto da tauromaquia na Nazaré já foi abordado por vários autores, destacando o excelente artigo da saudosa Dr.ª Maria Antónia Saavedra Machado, publicado na “Gazeta da Nazaré”, nas edições de 8 de Outubro e 11 de Novembro de 1996.
Nesse importante trabalho, a Dr.ª Maria Antónia Saavedra Machado, refere que, para o caso da Nazaré, «o espectáculo dos touros tem, pois uma longa e arreigada tradição na Nazaré e provavelmente remonta ao século XVII.»*
Sustenta a existência dessa manifestação na Nazaré como um produto da proximidade, geográfica e social, com o Ribatejo e ainda com a «romagem secular à Senhora da Nazaré, que integrava homens da corte acostumados a lidar touros, e sobretudo a influência do círio de Lisboa e de certas figuras históricas ligadas à tourada que aqui vieram desde o século XVIII.»**
A tragédia de alguns intervenientes na “festa brava” também está bem presente no mesmo artigo, remontando a primeira referência ali indicada ao ano de 1860. ***
Assim, sem prejuízo da leitura integral do excelente artigo a que já fizemos referência, e que aconselhamos, dá-se conhecimento de uma outra, e mais antiga, tragédia ocorrida na Praça de Nazareth, conforme refere o pároco, no dia 8 de Setembro (dia de Nossa Senhora da Nazaré), num ano em que a praça ainda se encontrava junto ao Palácio Real, posto que a actual praça foi inaugurada em 1897, substituindo uma anterior que existia no mesmo local, consumida pelo fogo em 1891.
«Aos onze dias do mez de Setembro de mil oito centos [e] quarenta e dois annos em o Sitio de Nazareth desta Freguesia da Pederneira faleceu de pancadas de hum toiro no acto da corrida delles na Praça de Nazareth no dia oito do dito, tendo recebido os Sacramentos – hum mosso dos forcados que disserão se chamava Joaquim Cadete, natural de Vallada, casado, que disserão ser com Dalina, mas não disserão mais sobrenome; no dito dia onze foi seu corpo conduzido á noite a esta Matriz, e no dia doze foi sepultado no cemitério: do que tudo fis este assento q[ue] assiney.
O Vigário António José Ferreira»****

*MACHADO, Maria Antónia Saavedra. “A Nazaré e a Tourada (sécs. XVIII – XX), in Gazeta da Nazaré, 1996, Edição de 8 de Outubro (p.11-12)
**Ib.
*** Id. Edição de 11 de Novembro, p. 11.
****ADLRA – Paróquia da Pederneira, Livro de Óbitos, 1842, f. 78v
Imagem:https://stravaganzastravaganza.blogspot.com (acedido em 10/06/2019)

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