Sobre o assoreamento da Foz da Nazaré – 1861

“Complemento necessario de todos os melhoramentos industriaes e agricolas d’aquella grande localidade, o melhoramento da foz da Nazareth, por onde se escoam todas aquellas aguas d’Alcobaça e seu termo, deve chamar a attenção do governo e dos proprietarios marginaes. Por ella sáem grandes torrentes no inverno, e a descarga do enxugo dos terrenos, em combate com as enchentes da maré. A accumulação d’areias arrojadas pelos ventos fronteiros obstrue a foz, destruindo com retrocesso e elevação das aguas, que por ella deviam descarregar, as culturas meio desenvolvidas n’aquele local. Os interessados tinham outr’ora n’aquelle local um guarda que, á primeira obstrucção, acudia e removia o obstáculo, o que fazia com que os prejuizos não fossem da escala que são hoje.
Agora só depois de grandes accumulações e estragos correm a desentupil-a.
Melhorar a direcção das aguas, com algumas pequenas obras d’arte, praticar uma abertura para nova descarga em frente da Barca, (idéa do engenheiro João Chrysostomo d’Abreu e Sousa, etc) são cousas indispensaveis para que se attinja com segurança e permanencia o fim desejado.
São materia digna da attençao e disvelo dos poderes publicos as obras n’aquella foz, e complementares, já pelo que devem melhorar as condições agricolas dos campos expostos a resfriamento pelas aguas que para ella descarregam; já pelo dique que poriam á invasão das areias nos campos; já pelo refugio maritimo que náquelle ponto se constituiria. Os sacrificios que estes melhoramentos possam custar ao estado, serão immediatamente compensados nos effeitos das obras, que dariam consideravel augmento á produção agricola, e d’esta ao da receita publica.”*
*Alcobaça: Melhoramentos Industriaes, Typ. da Sociedade Typographica Franco-Portuguesa, Lisboa, 1861, p. 25-26

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