Pequenos gestos

São muito importantes os gestos mais simples.

Hoje os meus filhos, na sua visita a casa, deram-me várias alegrias.

A alegria infinda de quem recebe os filhos em casa após um longo período de ausência e uma outra que não esperava; o disco em vinil da banda nazarena os “Alarme”.

Não irei falar da importância desta banda na emergência do Rock em Portugal, porque desse assunto outros conhecem mais que eu, mas recordo.

Recordo, com saudade, as vezes que os ouvi ao vivo, as inúmeras vezes que ouvi o “Desconto Especial” e a minha preferida, “Autocarro Diariamente”.

Recordo cada um dos seus elementos, quase todos do meu conhecimento pessoal.

Recordo essa fase em que vários grupos da Nazaré quiseram marcar “presença” nessa revolução musical, poucos anos após o 25 de Abril.

Lembro-me de um concerto que ocorreu no antigo campo de futebol do G.D. “Os Nazarenos” onde atuou, entre outras, uma outra banda com um nome muito comum, G.A.L.P..

Mas, se bem me lembro, e por extenso, significava, Grupo Altamente Ligado ao Punk, provando a bem conhecida espontaneidade nazarena para a reutilização de acrónimos.

Mas, em jeito de conclusão, a prenda que hoje recebi encheu-me o coração de orgulho, posto que a alegria de sentirmos que os nossos filhos partilham e respeitam o nosso tempo, já passado, mas ainda presente, não é mais que um produto de uma educação livre e sem preconceitos.

O disco já tocou, e bem, e foi cuidadosamente guardado junto a outras relíquias musicais que aqui por casa deambulam.

Obrigado aos meus filhos, Ricardo e Pedro.