O problema do apelido Quinzico

Plate 25; Richard de Quinzica standing by his wife, who lies grief-stricken on her bed, and pointing at the calendar he is holding. September 1830 Hand-coloured lithograph with gum arabic © The Trustees of the British Museum

Um dos apelidos mais difíceis de analisar no que respeita à sua origem é o apelido “Quinzico”.

Notámos que poderá tratar-se de apelido recente, pelo menos na Nazaré, mas que encontra algumas semelhanças fonéticas como “Quinjica” em Angola; “Quinchica” na Colômbia; “Quinsac” em França e “Kinzico” na República do Congo.[1]

Também, no site do Museu Marítimo de Ílhavo, na base de dados dedicada aos bacalhoeiros, notámos cerca de nove associações de outros apelidos ao “Quinzico”, todos eles naturais da Nazaré.[2]

Estaremos perante um apelido “específico e único” da Nazaré? Ou, numa outra possibilidade, perante um apelido espontâneo, como tantos outros?

Perante a dúvida não deveremos conjecturar, mas basear a nossa opinião no que conseguimos apurar nas várias pesquisas que fizemos.

Posto assim, verifica-se que o apelido Quinzico aparece, s.m.o., na Nazaré em meados do século XIX com Ignácio Bulhões Quinzico, gémeo de Domingos, batizado no dia 1 de Março de 1846.

Os pais não tinham esse apelido, nem os avós e bisavós paternos e maternos.

Estes de nome Joaquim Bulhões e Joaquina Baptista.

Os avós, pela parte paterna, José Soares Bulhões e Maria dos Santos Domingues e, pela parte materna, Joaquim Constantino e Maria Domingos.[3]

A partir de Ignácio e Domingos, aparece, e permanece, o apelido até aos dias de hoje.

Quanto à naturalidade, e como referimos, todos são do extinto concelho da Pederneira, actual concelho da Nazaré.

Encontrámos, no entanto, uma referência curiosa a um tal de Richard de Quinzica, numa das fábulas de Jean de La Fontaine, intitulada “How Old Men Count The Days”[4]

Trata-se, na nossa opinião e para o assunto em causa, de uma simples, mas interessante, coincidência ou, então, porque terá La Fontaine, no século XVII, utilizado este apelido, ainda que numa fábula?

Seja como for, os registos que temos remetem os ancestrais de Ignácio e Domingos, até meados do século XVIII, com um tal de João Soares Gulhoens casado com Maria de Jesus Batalheira, bisavós dos primeiros.[5]

Fontes consultadas:

[1] https://forebears.io/pt/surnames/quinzico (acedido em 10/05/2020).

[2]http://homensenaviosdobacalhau.cm-ilhavo.pt/header/pesquisa/results?nome=quinzico&alcunha=&year=&navio=&categoria=&idoriginal=&naturalidade=&navioCategoria=&searchlocale=pt_PT&action_getResults=Pesquisar

(acedido em 10/05/2020)

[3] ADLRA – Freguesia da Pederneira, Livro de Batismos, 1846, f. 67v.

[4]Jean de La Fontaine. La Fontaine’s Complete Tales in Verse: An Illustrated and Annotated Translation, Edited and Translated by Randolph Paul Runyon, 2009.

[5] Sobre este assunto, consulte-se, GRANADA, João António Godinho. Nazareth: Pederneira-Sítio-Praia, Para a História da Terra e da Gente, Edição de Autor, Depositária e distribuidora na Nazaré, Livraria Suzy, 1996, p. 312.

Gravura:

Richard de Quinzica standing by his wife, who lies grief-stricken on her bed, and pointing at the calendar he is holding. September 1830 Hand-coloured lithograph with gum arabic

© The Trustees of the British Museum in https://www.britishmuseum.org/collection/image/1381009001 (acedido em 12/05/2020).