O apelido Cavaleiro na Nazaré

Hoje iremos analisar alguns elementos sobre a presença do apelido “Cavaleiro” no Concelho da Nazaré.

Recorrendo ao trabalho do Dr. Granada, assim como à investigação genealógica do responsável deste blog, conseguimos dar continuidade a essa “diáspora” dos apelidos que fazem parte da nossa história social e económica, posto que a todos eles – os nossos antepassados – devemos a nossa existência.

Somos, no fundo, um produto das suas vidas, das suas decisões, na maioria das vezes com origens geográficas tão pouco prováveis que ficamos espantados como o nosso apelido, que julgávamos “genuíno” da Praia, é fruto de cruzamentos intermináveis com origens tão remotas que sem a pesquisa genealógica  desconheceríamos.

Foi esse o objectivo, inacabado, do apelido “Murraças” e do apelido “Guincho” e muitos mais que se seguirão.

Assim, e sobre o apelido Cavaleiro, segundo o Armorial Lusitano, houve um João Gonçalves Cavaleiro a viver em Montemor-o-Velho no reinado D. João II, sendo vereador dessa vila no ano de 1490. Dele provêm os Cavaleiros armigerados.[1]

Mas se essa remota existência parece atestada, importam-nos as referências desse apelido em terras do antigo, e extinto, concelho da Pederneira, actual concelho da Nazaré.

Segundo o investigador Nazareno Dr. João Godinho Granada, trata-se de um apelido proveniente de alcunha antiga e muito corrente, sendo imprecisa a época da sua génese. Ramo da família Luís.[2]

É assim que aparece a referência a um batismo ocorrido no dia 24 de Dezembro de 1675, de um tal Manoel, filho de Domingos Luis Cavalleyro e de Maria dalmeida s.m. p.p. Santos de misquita e Isabel dalmeida.[3]

Enquanto que noutras zonas do reino o apelido aparecia associado, entre outros, ao apelido “Gonçalves”, na Nazaré aparece associado a “Luís”.

É isso que notamos na descendência de Domingos Luis Cavalleyro que, conjecturando, poderá terá sido um dos primeiros “Cavaleiros” por terras da Pederneira. Informação que necessita de ser confirmada, muito pela falta de disponibilidade “on-line” dos registos anteriores ao princípio do século XVII.[4]

Posto isto, resta-nos o trabalho do Dr. Godinho Granada e a nossa investigação do mesmo apelido, como já referimos, para dar continuidade a esta varonia.

Assim, em 1778 é batizado um tal de José Luis Cavaleyro,[5] filho de António Luis Cavaleyro e Josepha da Conceição. Neto paterno de António Luiz Cavaleyro e de Maria de Passos.

José Luis Cavaleyro casa, em data ainda não encontrada por nós, com uma tal Ludovina Rosa.

Deste casamento nasce, entre outros, José Luiz Cavaleiro (b.1803) que viria a casar (c.1826) com Anna Roza do Sacramento.

Um dos filhos deste casamento é Joaquim Luís Cavaleiro (b.1827) que viria a casar (c.1851) com Maria Orfã de Jesus, natural de Alpedriz. Filha de João Orfão Coelho e de Joaquina Maria Rosa, ambos de Alpedriz.

O outro filho que conseguimos encontrar tinha como nome António Luis Cavaleiro (b.1861).

A partir daqui, senão antes, as ramificações foram aumentando. Disso mesmo trata o Dr. Godinho Granada que dá vários exemplos desses cruzamentos, ligando-os a Cavaleiro Bizorreira, Cavaleiro Mané e Cavaleiro Peixe.[6]

Ainda assim, o estudo deste apelido carece de mais elementos, nomeadamente na ligação entre as gerações actuais e as antigas, posto que só dessa forma se poderá encontrar o tronco comum do apelido Cavaleiro em terras da Nazaré.

Para já ficam estas breves notas.

[1] Aquele que traz armas de alguém.

[2] GRANADA (1996:333).

[3] Ibidem. ADLRA – Freguesia da Pederneira, Livro de Batismos, Ano 1675, f. 78.

[4] Este é um problema transversal a toda a investigação, não só genealógica, como se entende.

[5] ADLRA – Freguesia da Pederneira, Livro de Batismos, Ano 1678.

[6] GRANADA (1996:333).