Festa de São Brás

Hoje o Concelho da Nazaré comemora o dia de São Brás, localmente conhecido como o início das festividades de Carnaval que este ano terá o seu auge na terça-feira de Carnaval, dia 13 de Fevereiro.
O nosso Pedra do Porto, não vivendo apenas dos registos paroquiais e matérias similares, não poderia deixar de se associar a esta ancestral manifestação das gentes do nosso concelho.
Entre alguns autores que abordaram esta secular tradição, decidimos citar Moisés Espírito Santo que, sobre o assunto, refere o que se segue e que colocámos de uma forma resumida, tal a profundidade do estudo/opinião.
«São Brás
O seu dia (3 de Fevereiro), é o mais popular do ano para as povoações da Pederneira e Nazaré [aqui, entenda-se, “Nazaré”, é a junção dos três núcleos urbanos: Praia,  Pederneira e Sítio] que se esvaziam para piquenicar nas faldas do monte de São Brás (a que os de fora chamam de São Bartolomeu), topónimo que não é apenas o do monte, mas a região de dunas e de pinhais em torno.
[…] A sua festa, a 3 de Fevereiro, contribuiu para cristianizar as cerimónias das Candeias (2 de Fevereiro)*, instituídas por Roma, e especialmente pelo papa Sérgio I que aconselhou os cristãos a adoptarem as festas pagãs ” mudando-lhes a intenção” já que não as podiam evitar.[…]
Na Nazaré e na Pederneira, o dia de São Brás (3 de Fevereiro) é uma referência importante do calendário anual. A vila piscatória desertifica-se para uma estadia no sopé do monte durante todo o dia, com aparelhos de cozinha e mantas, dispersa-se nas duas [dunas] e sob os pinheiros a comer carnes assadas. Um curioso piquenique rústico. A festa também é conhecida por o ” entrudo dos pexinos” (nome dado à população piscatória).[…]
Segundo vários testemunhos em torno do monte de São Brás, ainda recentemente as mulheres ofereciam a São Brás telhas […] que elas levavam à cabeça até ao cimo do monte: ainda aí vemos algumas amontoadas em frente da capela arruinada»**
O Autor, ainda no mesmo capítulo, disserta sobre a associação do culto a São Brás recuando a períodos históricos anteriores, o que não nos importa para este formato (blog) mas cuja leitura aconselhamos.
*Orago da Igreja da Matriz: Igreja de Nossa Senhora das Areias e São Pedro da Pederneira. N.A.B.
**Esta “arruinada” deverá ser interpretada como o estado de conservação da capela à época em que o autor deve ter visitado a mesma. N.A.B.
Cf. SANTO, Moisés Espírito. Cinco Mil Anos de Cultura a Oeste: Etno-História da Religião Popular numa Região da Estremadura, Assírio & Alvim, 2004, pp.251-253.
Sobre este assunto confira-se, também, o que escrevemos em As Igrejas da Pederneira: do séc. XII ao séc. XVII. Uma análise, Edição Caldas Editora, 2012, pp. 117-127.

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