“Do Subêrco: Crónica da Nazaré”

«Aparece hoje «O Alcoa» pequeno no formato, mas grande em desejos de bem fazer. E creio que muito bem irá fazer nos concelhos cujos interesse se propõe defender: Alcobaça e Nazaré. Ponto é que tôdas as freguesias o recebam bem. E devem recebê-lo.
Todos temos o direito, e a curiosidade, de sermos informados do que se passa na Comarca. «O Alcoa» propôe-se, dizem-me, fazê-lo tôdas as semanas, com verdade e em cada freguesia.
A Nazaré não deixará também de dizer alguma coisa, para que ninguém esqueça que ela existe e é uma das mais lindas terras. O seu nome, só por si, lembra o aparecimento e a tradicional devoção de todo Portugal à Veneranda Imagem de Nossa Senhora, a qual, depois de mais de 400 anos oculta, ali na rocha e local onde assenta a Capela da Memória, foi encontrada e tem sido venerada até ao presente. Já lá vão 8 séculos…Quando D. Fuas Roupinho lhe mandou edificar a primeira Ermida de pedra solta. Hoje presta-se-lhe culto no nosso belo templo artístico e rico com o seu escadório típico que todos conhecemos.
Mas não era êste o assunto ou o fim que propuseram. Pediram-me noticias da terra. E sendo esta uma terra de pescadores lembro-me de começar pela pesca que foi abundante na primeira metade dêste mês. Em seguida apareceu a tempestade que tem feito inúmeros e importantes prejuizos. Por cá houve de tudo um pouco: telhados pelos ares, paredes derruídas e o mar, com uma arrogância tal, que não esteve com meias medidas – saltou o cais, passeou tôda a avenida marginal, entrou pelas ruas acima, fez da praça um lago, e areou a praça, ruias e casas. Em partes batia nas paredes das casas e saltava para os telhados.
Dizem pessoas antigas que nunca o viram assim, tão bravo.
As ondas apresentavam, a cada passo, aspectos surpreendentes, lindíssimos e lá ao longe, em frente do Forte, era vê-las abraçarem-se, continuamente, e produzirem os mais variados efeitos, vindo quebrar-se contra o forte e o penedo do Guilhim.» “C”*
*O Alcoa, Nº1, Ano 1, 27 de Dezembro de 1945.
“C” – É desta forma que o enigmático, mas informado, autor assina os seus artigos.

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