Uma simples imagem

Talvez sejam parcas as palavras para descrever esta simples imagem.

Talvez outras pessoas, mais do que nós, possam explicar o que significa esta imagem, qual a importância que tinha na nossa comunidade.

Talvez outros, mais do que eu, possam sentir saudades desse tempo, dessa Nazaré dos Pescadores, dessa praia repleta de gente simples, incansável, de olhos pequenos, mas profundos, tão cansados que estavam de olhar para lá do horizonte, agonizando, uns, pela espera e outros pela observação do mar que, mais tarde ou mais cedo, haveriam de enfrentar.

Talvez esta simples imagem possa transmitir a serenidade de um povo que, secularmente agregado ao mar, tem na expressão facial as ondas que lhe marcaram a face e o sal que lhes enrugou os olhos.

Talvez, por fim, esta pequena imagem possa transmitir que o passado é isso mesmo; por muito que não o possamos resgatar, haveremos sempre de ser fruto dessa memória à qual nos orgulhamos de pertencer.

A todos os pescadores da Nazaré é devida uma perpétua homenagem. A todas as embarcações que navegaram os mares próximos e os longínquos, talhadas por mãos de sapiência inata, devemos uma vénia, pela beleza, segurança e exemplo inequívoco de um Património Industrial ainda por estudar.

Fernando Pessoa  resume de uma forma que só esse grande poeta português o poderia fazer, tudo aquilo que o Mar representa para uma nação.

      MAR PORTUGUÊS

Ó mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram,

Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar

Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador

Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

Mas nele é que espelhou o céu.

*

Foto: Carlos Fidalgo 

 

  

Henriqueta de Oliveira, das Alhadas de Baixo

Henriqueta de Oliveira, nasceu em Alhadas de Baixo, na Freguesia de São Pedro das Alhadas, Concelho da Figueira da Foz, no dia 7 de Janeiro de 1837.

Filha legítima de Dionísio Gonçalves Nossa e de Maria Luiza de Oliveira[1].

Neta paterna de José Gonçalves Nossa e de Maria Nunes e materna de António Pinto e de Luiza de Oliveira, todos das Alhadas.[2]

Os bisavós paternos eram José Gonçalves Nossa e Marianna da Silva[3] e José Nunes e Luiza Gonçalves.

Estes últimos, eram filhos de José Gonçalves Nossa e de Magdalena de Freitas e de Veríssimo José Pessoa e Paula da Silva (Trisavós de Henriqueta de Oliveira). Todos eles da Freguesia de São Pedro das Alhadas.

Henriqueta de Oliveira viria a casar – já na Pederneira – no dia 15 de Maio de 1859 com Joaquim Vasco,[4] natural da Pederneira. No entanto, o pai, António Vasco, era natural da Freguesia de São Tiago, Torres Novas, sendo a mãe, Maria Thereza da Conceição, natural da Pederneira. Sobre este ramo haveremos de nos focar numa futura abordagem.

Este casamento, entre Henriqueta de Oliveira e Joaquim Vasco, haveria de deixar descendência com Eugénia Vasco, Luís Vasco, Eugénio Vasco, Maria José Vasco, Cláudio de Oliveira, Pedro Vasco[5] e, por fim, Jacintha de Oliveira Vasca (bisavô pela parte materna).

Como já referimos em artigos e trabalhos anteriores o conhecimento das origens geográficas dos nossos antepassados são fundamentais para a nossa percepção de uma Identidade Social e Cultural que, não raras vezes, se assume como genuína e fundadora de uma determinada comunidade, de um determinado local.[6]

Não é este o caso, nem será, como já amplamente mencionámos, de outros tantos apelidos, de outras tantas famílias que arreigadas, para o nosso caso, à Nazaré, acabam por ser originárias de locais quase “inimagináveis”.

Trata-se de um tema que merece um estudo contínuo e distanciado.

Para já deixamos a descendência de Jacintha de Oliveira Vasca (1874-1948), aposta na foto acima:

Em cima ao centro: Joaquim Mafra Fidalgo (1871-1923)

Da esquerda para a direita, em pé: Fernando de Oliveira Fidalgo, Luís de Oliveira Fidalgo e Abílio de Oliveira Fidalgo.

Em baixo, Irene Marques Fidalgo, filha da Sr.ª que está ao lado, Maria da Conceição Marques, Jacintha de Oliveira Vasca, Branca Fidalgo e Preciosa Fidalgo.

[1] Casaram no dia 7 de Janeiro de 1834 em Alhadas, extactamente três anos antes do nascimento de Henriqueta.  A.U.C. – Freguesia de São Pedro das Alhadas, Livro de Casamentos, 1834, f. 99.

[2] A.U.C. – Freguesia de São Pedro das Alhadas, Livro de Baptismos, 1837, f. 155.

[3] Casaram em 6 de Outubro de 1768 em Alhadas. A.U.C. – Freguesia de São Pedro das Alhadas, Livro de Casamentos, 1768, f. 23.

[4] A.D.L.R.A. – Freguesia de Nossa Senhora das Areias, Pederneira, Livro de Casamentos, 1859, f. 88.

[5] Sobre Pedro Vasco leia-se o que escrevemos neste espaço: https://pedradoporto.com/as-surpresas-que-a-genealogia-nos-reserva/ (acedido em 27/06/2020).

[6] Sobre este assunto, consulte-se o nosso trabalho: Gente de Fora na Pederneira: O caso da comunidade de Ílhavo (1609-1850), edição 5Livros, 2020.

Foto gentilmente cedida por Mara Fernanda Bem e Silvano Bem, meus primos em segundo grau, cuja colaboração na redacção deste pequeno artigo foi de primordial importância e a quem agradecemos.