Assim, sem mais nem menos, um olhar

Recomeçamos como tínhamos decidido acabar. Com a Pedra da Panela.
Após várias solicitações, oriundas de várias geografias, não tive como não dar provimento à continuidade deste espaço de partilha.
Agradeço a fidelidade, posto que é um sinal de interesse, acima de tudo, pelos conteúdos que foram sendo apresentados por aqui.
Agora que, na mentalidade de uns, damos o dito pelo não dito e, na mentalidade de outros – muitos mais – ainda bem que regressam, retornamos ao assunto da Pedra da Panela. Não para contar uma outra qualquer história, das muitas que, com toda a certeza, tem para contar, mas porque nos apeteceu mostrar esta imagem, completamente diferente da que foi colocada anteriormente.
Ao longo da praia expandem-se os muitos que do sol aguardam uma cor mais “acastanhada”, as barracas limitam essa fronteira secular entre o paredão e, quase, a linha de água. 
As motos de água, por muito que se esforcem, não conseguem retirar a beleza aos poucos barcos que regressam da faina…da vida dura do mar.
Mas a imagem, aquela que guardam na memória todos os que os visitam o Sítio, é soberba, sem comparação, posto que de um pequeno bico, a que localmente chamamos Suberco (ou com um o), depende do intelectual, é, de facto, inigualável. 
Mas, a Pedra da Panela mantém-se impávida e serena no seu local de sempre. Mais ou menos assoreada, lá vai dando para uns quantos se esticarem, rodando à volta da mesma, tentando acompanhar o movimento de transladação da Terra que dura 365 dias e seis horas (é por este acerto de horas que temos os anos bissextos).
As voltas dão-se. Os turistas acompanham os raios de sol, ou não, dependendo do gosto. As gaivotas voam, cantam, aterram em qualquer lugar e, ao fundo, bem num dos extremos daquele fabuloso largo, ergue-se o Santuário de Nossa Senhora da Nazaré.
Bem junto ao Coreto, esse símbolo de outros tempos, ainda vivido, performam os Abilius (penso que é este o nome artístico), desfilando música portuguesa, com uma qualidade, e sentimento, que nos prende ao local, que nos coloca numa outra dimensão; a dimensão entre o ser e o não ser. Entre o estar e o querer estar, entre o que somos e o que deveríamos ser.
Mas enquanto as emoções nos permitem outros rumos cogitabundos,  a Pedra da Panela, assim como todas as pedras que falam, irá manter-se naquele mesmo local, enquanto nós, os Humanos, iremos saindo de cena, mais cedo ou mais tarde, assim nos clame a voz desconhecida da Morte.
 
Foto: Carlos Fidalgo (2019)

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