A problemática dos apelidos e o princípio do estudo do apelido “Murraças” na Nazaré

A presença do apelido “Murraças” na Nazaré ainda não se encontra bem estudada, posto que parecem faltar elementos que permitam ter uma noção, ainda que putativa, da sua origem geográfica e etimológica.

Sabemos, contudo, que na Nazaré a sua presença remonta, pelo menos, ao século XVIII, obviando a uma ramificação que, ainda nos dias de hoje, parece permanecer em várias famílias nazarenas.

A ramificação de um qualquer apelido, e o seu conhecimento, é fundamental para uma história familiar e, por conseguinte, para a composição de uma qualquer história comunitária.

Assim parece acontecer com outros tantos apelidos, talvez com origem em alcunhas, como são exemplo: buarqueiro, boarqueiro, barqueiro, chuxa, carapau, remeloso, pixota, gordinho, estrelinha, carvoila, môna, repolho, chicharro, bôto, sapinha, mirão, vale-nove, patalão, formiga, faneca, lula, solha, pescadinha, cuécas, carepa, entre tantos outros que existem, como se pode notar nesse inédito e importante, trabalho;

 “400 Alcunhas da Nazaré, Monólogo original em prosa e verso recitado com descomunal sucesso pelo laureado amador GAMBOZINO nos principais teatros da Falca, Pedarneira [sic] e Fanhais, da autoria de Joaquim Pinto Borges (Pãe-Tá-Sol)”, edição Casa Alcoa, Nazaré,1969.

É que, conforme dizem os manuais, “apelido” também pode significar “alcunha”.

Na verdade, enquanto uns reclamam o estatuto da importância histórica do seu apelido, outros preferem omitir essa herança eliminando-a, muitas vezes, em actos notariais. terminando, dessa forma, o percurso secular de um nome. 

Por esse motivo, ou talvez pelas informações que a documentação nos vai fornecendo, não poderemos deixar de dar continuidade a este nosso trabalho, posto que o que somos hoje não representa mais que o reflexo do que os nossos antepassados vivenciaram. 

Assim, e pelo acima exposto, o apelido Murraças, assim como outros, poderá ter uma qualquer origem geográfica, funcional e/ou mesmo de característica física que poderá ter prevalecido geração após geração e sobre a qual nos temos debruçado.

No fundo, não somos únicos em nada, temos cruzamentos familiares que por vezes nos espantam, ligações improváveis.

Mas, acima de tudo, somos o que somos, com o rasto genético de quem nos deu origem.

Quanto ao apelido Murraças, deixaremos para uma muito próxima abordagem, posto que estamos, ainda, a tentar recuar no tempo, por forma a fornecer alguns dados que possam elucidar as pessoas com esse apelido sobre a sua história genealógica. Assim como fizemos para o apelido Guincho, trabalho ainda não terminado.

Ainda assim, deixamos uma breve pista sobre a origem deste apelido. Alerta-se, no entanto, que a passagem de “mo” para “mu” poderá ter acontecido pelas mais variadas razões.

Será, talvez, por isso que deveremos ser cautelosos, e pouco imaginativos, na assunção de teorias que se possam assumir como definitivas e inquestionáveis.

http://trajesdeportugal.blogspot.com/2007/02/morraceiro-algarve.html (acedido em 27/04/2020)