Ainda sobre o apelido “Guincho” na Nazaré

A apresentação da gravura de um tal Manuel Guincho no post anterior permite-nos partilhar com os nossos leitores os elementos que temos sobre esse apelido posto que, como referimos, o mesmo faz parte da nossa história genealógica.

Adverte-se, no entanto, que o que agora se apresenta trata apenas de um ramo, não sendo nossa intenção ligar o dito “Manuel Guincho”, desenhado por Paul Girol, como sendo um familiar directo. Poderá, contudo, ter origem num qualquer ramo com esse apelido.

Valem, por isso, os contributos do Dr. Granada quando menciona esse apelido como sendo «uma alcunha de significado e alcance óbvios» GRANADA (1996:404).

Nesse mesmo trabalho, o autor fornece-nos alguns elementos sobre a antiguidade desse apelido por terras da Pederneira (actual Concelho da Nazaré).

Dá conta de um baptismo ocorrido no dia 6/8/1826 de um tal António, filho de Joaquim Domingues Guincho ou, como aparece na nota à parte, “Joaquim Domingues Guinxo”. Ib.

Remete, ainda, para ligações ao apelido Homem e Domingos Guincho. Ib.

Também no site https://www.familiasdeleiria.com/ (acedido em 15/04/2020), podemos notar a existência desse apelido que, conforme o estudo do Eng.º Ricardo Charters d’Azevedo, parece, juntamente com muitos outros, fazer parte da descendência do Capitão Jerónimo de Azevedo*

Verifica-se porém, e conforme notámos no post anterior, que o apelido Guincho encontra-se disseminado por várias geografias. **

Da origem geográfica do mesmo nada podemos acrescentar, posto que se trata de um apelido que, como se notará, para o caso de um dos ramos da Nazaré se encontra truncado.

Na realidade, e consultada a vária documentação, nota-se que o primeiro elemento que utiliza esse apelido é um tal de Joaquim Domingues Guinxo, nascido no Sítio no dia 20/3/1796, tendo sido baptizado na Igreja de Nossa Senhora das Areias, no dia 29 do mesmo mês e ano.

Da descendência do mesmo trataremos no próximo artigo. Mas, por enquanto, atente-se na ascendência de Joaquim. Filho legítimo de Manoel Domingues e de Maria de Jesus, ele da Marinha Grande e ela da Pederneira. Neto paterno de Manoel Domingues e de Suzana Maria, ele de Carvide e ela da Marinha Grande (freguesia de Nossa Senhora do Rosário). Neto materno de Manoel José e de Thereza de São José, da Benedita (Concelho de Alcobaça).

Ora, se algumas conclusões – ainda que apriorísticas – se podem tirar, é que neste ramo o dito Joaquim terá nascido no Sítio de Nossa Senhora da Nazaré, fruto de um casamento entre uma pessoa oriunda da Marinha Grande e uma outra natural da Pederneira.

Sem prejuízo de outras opiniões e aplicando as normas, os pais de Joaquim poderão ter nascido por volta de 1776 e os avós, por volta de 1756, mais ano menos ano. No entanto, falta confirmar a suposição que aqui deixamos, o que não será fácil, posto que os registos paroquiais da Freguesia de Nossa Senhora do Rosário, Marinha Grande, não vão além de 1811, no caso dos baptismos, 1783, no caso dos casamentos e 1810 para os óbitos.

Quanto a Carvide as datas são ainda mais limitadoras: 1870, 1910 e 1870, seguindo a mesma ordem. Está, assim truncada qualquer pesquisa que pretenda recuar no tempo o ramo em causa, pelo menos no que aos registos paroquiais diz respeito.

Por outro lado, o apelido Guincho junta-se ao Domingues com o tal Joaquim, o que não é incomum, podendo tratar-se de alguma alcunha que, com o tempo, se transformou em apelido. Notaremos isso quando abordarmos a descendência de Joaquim Domingues Guinxo (Guincho).

Por ora fica este humilde contributo, esta pequena partilha, sobre o apelido Guincho, esperando que possa ser útil para complementar alguma informação existente que aborde esta família.

Em breve, como já bastas vezes referimos, trataremos da descendência de Joaquim e como aparece mais uma alcunha que se transforma em apelido mas que não chega a durar mais de uma geração!

Fontes consultadas:

GRANADA, João António Godinho. NAZARETH, Pederneira, Sítio e Praia, Edição de Autor, Depositária e distribuidora, Livraria Suzy, Nazaré, 1996.

ADLRA – Freguesia da Pederneira, Livro de Baptismos, ano de 1796, f. 40.

https://www.familiasdeleiria.com/ (acedido em 15/04/2020)

* Confira-se a esse respeito a excelente obra de Ricardo Charters d’Azevedo, João Figueiredo Pereira, Eduardo Martins Zúquete, Capitão Jerónimo de Azevedo e seus descendentes, Edição Hora de ler, Leiria, 2019.

** Basta, numa primeira abordagem, consultar o site dos homens que andaram na pesca do bacalhau para se perceber que o apelido se espalha pela Nazaré, Peniche, Lavos e, com certeza, por outros locais. http://homensenaviosdobacalhau.cm-ilhavo.pt/header/pesquisa/results?nome=guincho&alcunha=&year=&navio=&categoria=&idoriginal=&naturalidade=&navioCategoria=&searchlocale=pt_PT&action_getResults=Pesquisar&start=0 (acedido em 15/04/2020)

Continua…

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