Afinal qual a origem geográfica da alcunha/apelido “Pexim”?

“Pexim” ou “Pechim”. 
Este “cognome” ou, se assim se entender, esta alcunha social abrange, ou assim parece, a comunidade nazarena.*
Confesso que até hoje não tinha levantado qualquer dúvida sobre esta “alcunha”, embora considere que a mesma se pode aplicar a qualquer comunidade litoral.
Mas como estamos sempre a aprender, e ainda que o exemplo que a seguir se apresenta possa não resolver a questão, merece ser revelado, posto que pode colocar em questão a origem geográfica dessa “alcunha” e, por conseguinte, a associação a uma determinada comunidade.
O investigador nazareno, Armando Macatrão, parece indicar que a “alcunha” não se prende com questões ligadas à profissão de pescador, e restantes actividades paralelas, quando refere que «Pichin – Modo de se dizer “pequenino”. Também é costume dizer-se “picninin”.**
Nos dicionários de Língua Portuguesa, consultados por nós, não aparece qualquer referência a esse “nome”. Viterbo também não lhe faz menção e, como tal, poderemos ser levados a pensar que será uma “alcunha” local ligada, como parece, à actividade marítima, em particular, à pesca, ao que reside junto ao mar, ao que trabalha com o peixe. 
É, por isso, de referir que existe uma diferença entre comunidades litorais e comunidade marítimas, adiando a abordagem desse assunto para uma futura intervenção.
Não teria, porém, qualquer propósito levantar esta questão se não tivéssemos encontrado um registo paroquial que menciona a “alcunha” – embora no registo não se perceba se seria alcunha ou apelido – “Pexim” cujas origens geográficas não poderiam ser mais afastadas das regiões marítimas, assim como das litorais, remetendo mesmo, para o interior de Portugal o que, em primeira análise, pode parecer estranho, se não levarmos em conta a pesca nos rios praticada nos territórios a montante da zona marítima.
Posto isto e tendo em consideração o conteúdo do registo em causa, assim como o desconhecimento temporal da utilização dessa “alcunha”, sempre se dirá que, na nossa opinião, este registo constitui-se como o primeiro, e a primeira vez, em que tal “alcunha” é temporalmente conhecida. Isto sem prejuízo de tempos anteriores e que podem colocar em causa a temporalidade do aparecimento da mesma em terras da Pederneira (actual concelho da Nazaré).
Diz em suma o registo:
Cota à margem:
«N.22
Pederneira,
António Corrêa
Pexim***
Aos vinte dias do mez d’abril do anno de mil oitocentos e oitenta e sete, nesta villa e freguezia de Santa Maria das Arêas da Pederneira, concelho d’Alcobaça, Patriachado de Lisboa, ás duas horas da tarde, falleceu tendo recebido os sacramentos, um individuo do sexo masculino por nome António Corrêa  Pexim, d’edade cerca de oitenta annos, viuvo de Marcellina d’Oliveira Mendes, morador nesta mesma villa da Pederneira, natural da freguezia de S. Christovam, diocese de Vizeu, filho legitimo de João Corrêa, e Francisca d’Almeida, aliás Maria Francisca, naturais da dita Diocese de Vizeu. Deixou filhos, fez disposições, e foi sepultado no Cemitério publico desta Parochia. E para constar, lavrei em duplicado este assento que assigno. Era ut supra.
O Parocho Jose Pereira Garcia»****
É, agora, importante pesquisar a descendência de António Corrêa que poderá ter permanecido por terras da Pederneira assim como é, também, importante pesquisar nos registos de Viseu se o mesmo, à época do seu baptismo ou casamento, já possuía o apelido/alcunha de “Pexim”.
Fica, pois, à consideração de uns e outros a continuidade desta pequena, mas importante, questão.
*http://populu.net/pexim (acedido em 16/05/2018)
**MACATRÃO, Armando Sales. Expressões da Nazareth, Edição de Autor, 1ª edição, 1988, p. 162. 
*** Note-se que não vem, como em muitos registos, “vulgo”.
****ADLRA – Freguesia da Pederneira, Livro de óbitos, 1887, f.49.

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *